A Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril coopera com o desafio lançado pelo Museu Nacional de Arte Antiga - Lisboa
A Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE), desde 2015, através dos seus discentes do Curso de Informação Turística, com o apoio das Professoras Margarida Soares, Maria Mota Almeida e dos Diretores de Curso, Cristina Carvalho e Miguel Brito, tem aderido entusiasticamente aos desafios de mecenato cultural lançados, periodicamente, pelo Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA).
No primeiro ano, 2015, contribuiu-se para a iniciativa ‘Vamos pôr o Sequeira no Lugar Certo’. Tratou-se da angariação de fundos para a aquisição da pintura A Adoração dos Magos (1828), da autoria de Domingos António de Sequeira (1768-1837). Os alunos, ao participar na primeira campanha nacional de obtenção de fundos para a compra de uma obra de arte para um museu público, envolveram toda a Instituição num trabalho que exigiu uma grande organização e articulação entre os membros do grupo. O resultado foi entusiasmante... conseguiu-se comprar, mediante escolha prévia, muitos pixéis, correspondentes a uma percentagem do quadro.
Em 2018, o MNAA lançou uma nova campanha de angariação de fundos para restaurar o chamado Presépio dos Marqueses de Belas, obra de inícios do século XIX dirigida pelo escultor Barros Laborão. Mais uma vez, os alunos de Informação Turística mostraram a sua capacidade de iniciativa e dinamismo, tendo angariado o montante suficiente para restaurar uma das figuras do Presépio.
Um ano depois, 2019, novo projecto: o restauro da Capela das Albertas. Os discentes, após a investigação empreendida, transmitiram à comunidade académica o historial e a importância desta Capela no contexto do património nacional. Neste momento encontram-se a recolher fundos para serem entregues no MNAA, onde figurará, mais uma vez, o nome da ESHTE como mecenas.
A vantagem de participar nestas iniciativas, para além da tradução imediata em termos de contributo monetário, se bem que simbólico, materializa-se, em nosso entender, num processo com consequências que se podem observar a mais longo prazo. Antes de mais, pela sensibilização feita à comunidade académica para que reconheçam de forma mais objetiva, aberta e crítica, o valor do nosso património. Por outro lado, estimulam-se valores inerentes ao exercício da cidadania, onde cada um passa a dar mais importância ao que é de todos, responsabilizando-se, enquanto comunidade fruidora direta desse património, pela colaboração na aquisição, na preservação e no restauro do património comum, num processo solidário e interventivo. Na verdade, o património não nos pertence. A sua importância, quer como testemunho da ação humana, quer pela(s) memória(s), saberes e valores que conserva e difunde, bem como o contributo que lega para o desenvolvimento mais harmonioso e sustentável do território, responsabiliza-nos, quotidianamente, pela necessidade da sua preservação para as gerações seguintes.
Os profissionais da área do turismo trabalham permanentemente, e numa clara situação de (inter)dependência, com o património cultural que, com a passagem do tempo e a voragem dos dias, se torna cada vez mais frágil. Ora a sua futura utilização, enquanto recurso diferenciador consistente, exige uma sensibilidade acrescida no processo de aquisição, salvaguarda, restauro, valorização e promoção do mesmo, quer se trate de um património mais tradicional, quer dos novos patrimónios.
A ESHTE, através destas e de outras iniciativas, pretende contribuir para que, progressivamente, a questão da preservação patrimonial seja cada vez menos citada para passar a ser cada vez mais exercitada. Parafraseando, adaptando, Almada Negreiros[1] : quando eu nasci, as frases que hão-de salvar o património já estavam todas escritas, só faltava uma coisa - salvar o património.
Vamos salvar este património!
Vamos ajudar a restaurar a ‘Capela das Albertas’!
Como ‘TODOS SOMOS MECENAS’, contamos com todos vós!
Ajudem-nos a ajudar!
O património agradece.
Maria Mota Almeida
Professora Adjunta Convidada da Área de Ciências Sociais e Humanas
[1] “Quando eu nasci, as frases que hão-de salvar a humanidade já estavam todas escritas, só faltava uma coisa - salvar a humanidade." A invenção do dia claro (1921).