Por um Ensino de Qualidade, por uma Cultura de Escola
São sobejamente conhecidos os desafios políticos, económicos, culturais, societais e até mesmo ambientais que se impõem atualmente ao ensino superior, sendo o principal, segundo a nova agenda para o ensino superior publicada pela Comissão Europeia (2017), o de preparar as/os estudantes para as crescentes flexibilidade e complexidade que caracterizam o mercado de trabalho. No sentido de dar resposta a este desafio compete às instituições de ensino superior (IES) capacitar as/aos estudantes para que sejam mais empreendedoras/es, consigam gerir informação complexa, pensem de forma autónoma e criativa, utilizem os recursos (físicos, humanos e digitais) de modo consciente e sustentável, comuniquem de forma eficiente e eficaz, sejam resilientes e contribuam para a promoção ativa da inclusão e mobilidade nas sociedades em que vivem e trabalham (EC, 2017, p. 21). Para tal, o ensino superior deve repensar as suas práticas pedagógicas e modernizar os processos de ensino-aprendizagem que fomenta, privilegiando sempre aquele que é o elemento diferenciador das/dos estudantes e futuras/os profissionais, ou seja, as suas “múltiplas inteligências” (Gardner, 1983). Estas devem ser reforçadas através do desenvolvimento de competências ditas transversais (ou soft skills) como a curiosidade, a criatividade, a imaginação, o pensamento crítico, a resiliência, a capacidade de lidar com situações inesperadas e com circunstâncias de adversidade, entre outras (WEF, 2016; OECD, 2018). É, principalmente, através destas competências que se pretende educar as/os jovens no sentido de estas/es desempenharem uma cidadania ativa, responsável e participativa, a par, claro está, do desenvolvimento daquelas que são consideradas as competências técnicas específicas (hard skills) da área em que venham a desempenhar funções.
Se é este o contexto atual em que as IES devem equacionar as suas estratégias pedagógicas, tal torna-se ainda mais premente no âmbito do ensino superior politécnico em turismo e lazer, hotelaria e restauração, quer pela sua especificidade, quer pela componente prática que o caracteriza, quer mesmo pelo papel fulcral que as atividades turísticas assumem na economia portuguesa. O perfil das/os turistas está a mudar, existe uma crescente procura por experiências turísticas singulares, memoráveis e holísticas, mas também por destinos mais sustentáveis a todos os níveis. Para além disso, os desenvolvimentos tecnológicos impactam de forma cada vez mais intensa as atividades turísticas e as práticas de consumo estão a assumir contornos mais colaborativos. Assim sendo, deve existir nestas atividades uma crescente orientação para a aprendizagem high-touch, quer seja ela formal, não formal ou informal, isto é, para a importância da formação ao nível das relações interpessoais e da compreensão e descodificação dos processos humanos.
É, pois, neste enquadramento de novos desafios e respostas que se impõem ao ensino superior politécnico em turismo e lazer, hotelaria e restauração, que a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril (ESHTE) desenvolve a sua missão pedagógica. Com cinco licenciaturas, que são apresentadas em detalhe pelas respetivas direções de curso nesta newsletter, quatro cursos de mestrado, sendo o Mestrado em Turismo e Comunicação em associação com IES da Universidade de Lisboa, e um programa de doutoramento em parceria com o Instituto de Geografia e Ordenamento do Território (IGOT), da Universidade de Lisboa, a ESHTE tem como objetivo ministrar um ensino que se paute pelas exigência e qualidade e que prepare as/os estudantes para as realidades da sociedade e do mercado de trabalho, sem perder de vista as solicitações e os imperativos que se avizinham para o futuro e que requerem por parte de todas/os a capacidade de adaptação à mudança.
Neste sentido, a ESHTE, nomeadamente através das atividades desenvolvidas e/ou apoiadas pelo seu Conselho Pedagógico (CP), tem vindo a apostar numa maior transdisciplinaridade no seio de cada curso (e mesmo entre cursos), facilitada por uma sinergia mais efetiva entre as várias unidades curriculares, já que as/os futuras/os profissionais terão de pensar e agir de forma integradora que lhes permita estabelecer relações entre diversas áreas e diferentes temas. Esta transdisciplinaridade deve ser complementada por metodologias e ferramentas de ensino-aprendizagem mais ativas, colaborativas e centradas nas/nos estudantes, de forma a promover uma maior motivação e consciência dos processos de ensino-aprendizagem. Para que esta capacitação das/dos estudantes seja plena e eficaz, é necessário um ambiente facilitador e integrador que passa inevitavelmente por uma cultura de escola forte, coesa e inclusiva.
É, pois, neste contexto que o Conselho Pedagógico tem como sua principal missão para este mandato, que decorre até outubro de 2020, um conjunto de 8 linhas de ação prioritárias: 1) participação no processo de restruturação da oferta formativa da ESHTE; 2) revisão da avaliação de desempenho de docentes; 3) promoção de estratégias, metodologias e ferramentas de inovação pedagógica; 4) formação complementar/não formal para a comunidade académica ao nível do “saber fazer”, “conhecer” e “ser/estar”; 5) melhoria das condições físicas dos processos de ensino-aprendizagem; 6) facilitação de uma maior partilha pedagógica; 7) incentivo a uma maior dinamização da vida académica; e 8) elaboração de documentação académica necessária. Para a prossecução destes objetivos temos o gosto e o privilégio de poder contar com o apoio da Docente Cláudia Viegas enquanto Vice-Presidente do CP, do Estudante João Ganhoteiro Silva enquanto Secretário do órgão e de um conjunto dinâmico e participativo de representantes docentes e discentes dos vários cursos de licenciatura, bem como com a Provedora do Estudante e com a AEESHTE, não esquecendo a articulação estreita necessária com a Presidência, o Conselho Técnico-Científico, as Direções de Curso e Coordenações de Área Científica e os demais Serviços da ESHTE, nomeadamente a Divisão de Recursos Humanos, o Gabinete de Mobilidades e Relações Internacionais e o Gabinete de Estágios.
Ana Gonçalves
Presidente do Conselho Pedagógico
Referências
European Commission (EC). (2017). Communication from the Commission to the European Parliament, The Council, the European Economic and Social Committee of the Regions on a renewed EU agenda for higher education. Brussels: European Commission.
Gardner, H. (1983). Frames of Mind: The Theory of Multiple Intelligences. New York: Basic Books.
Organisation for Economic Co-operation and Development (OECD). (2018). The Future of Education and Skills – Education 2030 – The Future We Want. Paris: OECD.
World Economic Forum (WEF). (2016). The Future of Jobs: Employment, Skills and Workforce Strategy for the Fourth Industrial Revolution. Cologny/Geneva, Switzerland: World Economic Forum.